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O Trading de Cripto: uma história asiática?! (Mt.Gox, BitMEX, Bitfinex)

Por Captain Trading··6 min

A gênese do trading de criptomoedas está centrada na Ásia do Norte, e mais precisamente no que se pode chamar de "Grande China". Hoje está claro que essa foi a terra mais fértil para a inovação no setor do trading de cripto. Entender essa história também ajuda a compreender melhor as dinâmicas atuais do mercado e a antecipar as próximas evoluções.

A Grande China (Greater China em inglês é mais expressivo) é a combinação da China continental, de Hong Kong, de Taiwan e de Macau.

Atenção: este histórico é baseado principalmente em um balanço feito por Arthur Hayes, cofundador da Bitmex.

Mt.Gox: o nascimento do trading de cripto no Japão

Para o bem e para o mal, no início dos anos 2010, a Mt. Gox foi criada. Trata-se de uma exchange japonesa. Foi esse nome que colocou os volumes de negociação de cripto no mapa mundial e que realmente deu início ao ecossistema do trading de Bitcoin.

Se você não conhece o tristemente famoso incidente da Mt. Gox, recomendo se atualizar.

Em 2013, a Mt. Gox detinha uma fatia de mercado superior a 80 % dos volumes mundiais de negociação de cripto...

Quando a Mt. Gox explodiu no início de 2014, a maior parte dos volumes foi transferida para os três grandes players da China continental: Huobi (baseada em Pequim), OkCoin (baseada em Pequim) e BTC China (baseada em Xangai). E, para os participantes de mercado fora da região da Grande China, tínhamos a Bitstamp (baseada na Eslovênia) e a Bitfinex (baseada em Hong Kong), que processavam a maior parte dos volumes negociados em USD. Nessa época, plataformas mais institucionais como a OKX (que recomendamos hoje pela seriedade e pela regulação) também começavam a surgir no ocidente.

Bitfinex: a invenção do Margin Trading em cripto

No setor do trading de cripto, a revolução seguinte foi liderada pela Bitfinex, que teria (ao menos inicialmente) construído sua plataforma usando o código da Bitcoinica, uma exchange baseada na Nova Zelândia lançada por um fundador chinês que passou seus anos de formação em Singapura.

Independentemente da origem da sua base de código, a Bitfinex inovou ao popularizar com sucesso um mercado de empréstimo e financiamento peer to peer para fiats e criptos. Pela primeira vez, isso permitiu que traders emprestassem de outros traders para realizar operações na margem.

A Bitfinex também permitiu que os usuários utilizassem diferentes tipos de colateral para financiar suas operações com alavancagem.

Por exemplo, se você tivesse Litecoin, poderia abrir uma posição comprada na margem em Bitcoin contra USD. Na época, o volume de empréstimos em aberto na Bitfinex era uma variável crucial para prever os movimentos de preço. Após um roubo de 5 milhões de dólares na Bitstamp, a principal exchange não chinesa da época, em 2016, essas inovações permitiram que a Bitfinex tomasse a coroa da Bitstamp como maior exchange não chinesa. Vale notar: operar com alavancagem exige uma gestão de risco rigorosa, sob pena de liquidação rápida.

ICBIT: os primeiros contratos futuros de cripto

Na época, o mercado de derivativos de cripto representava apenas uma pequena fatia do bolo. A primeira exchange de verdade a oferecer produtos derivativos foi a ICBIT, fundada por dois russos que viviam no Caribe. A ICBIT inventou os contratos futuros inversos de Bitcoin/USD. Em 2013, quando a ICBIT reinava soberana nesse nicho, os contratos futuros cash-and-carry rendiam 200 % ao ano. Para entender melhor esses instrumentos, consulte nosso guia sobre futures de cripto.

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A mutualização de perdas: a inovação chinesa

Em 2014, a 796 (baseada em Guangzhou), a Huobi, a OkCoin, a BTC China e a BitMEX (lançada em Hong Kong — viva!) lançaram, cada uma, sua versão de um mercado futuro usando a estrutura de contrato futuro inverso da ICBIT.

Tecnicamente, a 796 usava um derivativo diferente, mas elas bombaram.

A grande inovação dessas exchanges situadas na região da China foi o sistema de perdas socializadas, que protegia a exchange do risco de falência de traders individuais. Essa característica era essencial devido à natureza volátil do mercado de cripto.

Bitfinex e Tether: a revolução das stablecoins

Em seguida, a Bitfinex cumpriu seu papel no crescimento inicial do mercado de stablecoins graças à sua afiliação/propriedade da Tether.

As exchanges de cripto precisavam de uma forma de se financiar em USD sem passar pelo sistema bancário. Da mesma forma, os chineses precisavam de uma forma de enviar dólares para o mundo todo sem envolver bancos. A Bitfinex era a principal exchange e tinha laços profundos com a Grande China. Além disso, seu apoio ao USDT reforçou ainda mais a posição do USDT como a maior stablecoin.

A partir daí, o volume de trading em derivativos explodiu, enquanto as exchanges líderes continuavam sediadas na China.

Por que a "dominação chinesa" no trading de cripto?

Antes de mais nada, a maioria das empresas que operavam bitcoins e produziam equipamentos de mineração estava na China continental. Essas empresas foram as primeiras baleias, pois detinham grandes reservas de bitcoins para especular e se proteger (fazer hedge).

Além disso, a maior parte dos volumes de negociação mundiais no mercado à vista estava concentrada na China: foi essa concentração de liquidez que deu à região sua vantagem decisiva. Em terceiro lugar, não havia uma classe de investidores institucionais para atender, com os traders de varejo reinando absolutos. Como consequência, os produtos foram criados para atrair usuários de criptomoedas, e não gestores de fundos.

BitMEX: a invenção do contrato perpétuo (perp)

Em maio de 2016, a BitMEX inventou o swap perpétuo (também chamado de "perps" ou "o perp").

A ascensão da BitMEX decorre quase inteiramente dessa invenção financeira. O contrato perpétuo não tem data de vencimento: para se manter ancorado ao preço à vista, ele depende do funding rate, esse mecanismo de pagamentos periódicos entre comprados e vendidos que é uma das grandes invenções descritas aqui.

Em 2020, todas as grandes exchanges de derivativos copiaram o design desse produto e tiveram grande sucesso. Com trilhões de dólares em volumes negociados acumulados até hoje, ele se tornou o instrumento de cripto mais negociado de todos os tempos, nada mais nada menos...

Deribit: a ascensão das opções sobre cripto

Em seguida, a Deribit, inicialmente baseada nos Países Baixos e hoje no Panamá, fez o mercado de opções sobre cripto explodir. Até então, essa é praticamente a única exchange que contribuiu com uma inovação importante para o setor do trading de cripto sem estar baseada na Ásia.

Conclusão: a inovação em cripto está estagnada hoje?

A Binance (hoje a maior exchange em volume de negociação para a maioria dos produtos) e a Bybit (lançada em Pequim, hoje em Singapura/Dubai) são, na verdade, as duas últimas gigantes que, no período recente, pegaram os melhores produtos e funcionalidades de seus predecessores, os aprimoraram e fizeram sucesso. A FTX, lançada em Hong Kong antes de se instalar nas Bahamas, fazia parte desse grupo, mas você já sabe o resto...

Para recapitular, vamos retomar em ordem a lista das principais evoluções e anotar a origem de cada invenção.

Contratos Futuros Inversos: ICBIT, instalada em um iate russo no Caribe. (LOL)

Sistema de perdas socializadas: 796, Huobi, OKCoin e BTC China, instaladas respectivamente entre Guangzhou, Pequim e Xangai

Margin Trading: Bitfinex — Hong Kong — (Grande China).

Stablecoins (USDT): Bitfinex — Hong Kong (Grande China).

Contratos Perpétuos: BitMEX — Hong Kong (Grande China).

OpçõesDeribit — Países Baixos

Exchange N°1 em volume — Binance

Como você pode ver, embora o time gerencial desses projetos costume ser cosmopolita, é inegável a importância da Ásia, e mais precisamente da China, na inovação do setor de cripto.

Um bom conhecimento histórico das exchanges de cripto nos permite antecipar potenciais eventos recorrentes: as mesmas mecânicas de liquidez, alavancagem e mutualização de riscos se repetem a cada ciclo.

Atualização 2026: como estão essas exchanges hoje?

Este relato continua sendo uma referência histórica, mas vários dos players citados mudaram de nome ou de status desde a publicação. Um pequeno panorama para o leitor de 2026:

  • A Huobi virou HTX (rebranding em setembro de 2023).
  • A OkCoin deu origem à OKX, hoje uma das maiores exchanges mundiais em derivativos.
  • A BTC China fechou, levada pelo endurecimento regulatório chinês (proibições sucessivas de 2017-2021 ao trading e à mineração).
  • A Tether (USDT) e a Bitfinex (iFinex) anunciaram, no início de 2025, a transferência de sua sede para El Salvador, país que se tornou um hub de cripto.
  • A FTX faliu em novembro de 2022; seu fundador, Sam Bankman-Fried, foi condenado a 25 anos de prisão em março de 2024.
  • BitMEX, Bitfinex, Bybit continuam ativas e líquidas; o swap perpétuo inventado pela BitMEX permanece o instrumento de cripto mais negociado do mundo.

O mapa dos players muda, mas a lição de fundo continua a mesma: a maior parte das inovações que ainda estruturam o trading de cripto em 2026 nasceu na Ásia, e mais precisamente ao redor da Grande China.

FAQ: a história das exchanges de cripto

Qual foi a primeira grande exchange de cripto?

A Mt. Gox, uma exchange japonesa lançada no início dos anos 2010. Ela concentrou mais de 80 % dos volumes mundiais em 2013, antes de entrar em colapso no início de 2014 após o roubo que marcou a história do setor.

Quem inventou o contrato perpétuo (perp) em cripto?

A BitMEX, em maio de 2016. O swap perpétuo, que não tem vencimento e se mantém no preço à vista graças ao funding rate, se tornou o instrumento de cripto mais negociado de todos os tempos.

Por que a Ásia dominou a inovação nas exchanges de cripto?

Porque a maior parte da mineração de Bitcoin, das primeiras baleias e da liquidez à vista estava na China continental, com um mercado composto majoritariamente por traders de varejo. Os produtos — margin trading, futuros inversos, perdas socializadas, perpétuos — foram, portanto, projetados para eles.

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