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História do Fed: os 17 presidentes desde 1914

14 min📅 16 de setembro de 2026

Basta um número para medir o peso do cargo: em junho de 1981, Paul Volcker levou a taxa dos fed funds a cerca de 20% para sufocar uma inflação de dois dígitos. Quarenta e cinco anos depois, no mesmo dia em que o FOMC volta a se reunir — neste 16 de setembro de 2026 —, essa mesma taxa básica de juros está entre 3,50% e 3,75%. Entre esses dois instantâneos, apenas 17 presidentes passaram pelo comando do Federal Reserve em 112 anos de existência, uma função que hoje pesa sobre a avaliação de cada ação, cada título e cada moeda do planeta.

Este guia percorre, presidente após presidente, mais de um século de política monetária americana: os primeiros passos hesitantes de 1914, a Grande Depressão, a fundação do FOMC moderno em 1935-1936, a Grande Inflação dos anos 1970, o choque Volcker, os longos mandatos de Greenspan e Powell, e a chegada de Kevin Warsh em maio de 2026. Para entender a mecânica das próprias reuniões e o funcionamento do comitê, vá para o guia completo do FOMC; aqui, o que se desenrola, mandato a mandato, é a história humana e decisória da função.

O essencial para lembrar

  • 17 presidentes (chairs) passaram pelo comando do Fed desde a nomeação de Charles Hamlin em 10 de agosto de 1914, dois anos depois da criação da instituição pelo Federal Reserve Act.
  • O mandato mais longo foi o de William McChesney Martin: 18 anos e 9 meses, de 1951 a 1970, sob quatro presidentes americanos diferentes.
  • O mandato mais curto foi o de G. William Miller: apenas 17 meses, de março de 1978 a agosto de 1979, com uma inflação próxima de 12% em sua saída.
  • O Banking Act of 1935, redigido em grande parte por Marriner Eccles, criou a estrutura moderna do FOMC: 7 governadores e 12 presidentes de bancos regionais, reunidos pela primeira vez nesse formato em março de 1936.
  • A independência do Fed em relação ao financiamento da dívida pública, ainda em vigor hoje, remonta ao Acordo Tesouro-Fed de 3 de março de 1951.
  • O pico histórico da taxa básica de juros continua sendo o da era Volcker: cerca de 20% em junho de 1981, contra 3,50-3,75% atualmente.
  • A meta de inflação explícita de 2%, que se tornou a bússola de todos os comentários de mercado, só foi formalmente adotada em janeiro de 2012, sob Ben Bernanke.
  • Janet Yellen foi a primeira mulher a dirigir o Fed (2014-2018), antes de se tornar a primeira mulher secretária do Tesouro americano (2021-2025).
  • Kevin Warsh, 17º e atual chair, está no cargo desde 22 de maio de 2026; sua confirmação no Senado (54 votos contra 45) segue sendo a votação mais polarizada da história para esse cargo.

A tabela dos 17 presidentes

PresidenteMandatoNomeado porFato marcante
Charles S. Hamlin1914-1916Woodrow WilsonPrimeiro chair da história; no cargo quando estourou a Primeira Guerra Mundial
William P. G. Harding1916-1922Woodrow WilsonDirigiu o Board durante a guerra e o pós-guerra, presidiu também a War Finance Corporation
Daniel R. Crissinger1923-1927Warren G. HardingMandato dos “Roaring Twenties”, crédito fácil, Dow Jones mais que dobrou
Roy A. Young1927-1930Calvin CoolidgeSeu mandato termina com o crash de Wall Street de outubro de 1929
Eugene Meyer1930-1933Herbert HooverGrande Depressão, criação da Reconstruction Finance Corporation em 1932
Eugene R. Black1933-1934Franklin D. RooseveltMandato muito curto, transição bancária do New Deal
Marriner S. Eccles1934-1948Franklin D. RooseveltAutor do Banking Act of 1935, fundador do FOMC moderno
Thomas B. McCabe1948-1951Harry TrumanConflito Fed-Tesouro, resolvido pelo Acordo de 3 de março de 1951
William McChesney Martin1951-1970Truman, depois reconduzido 3 vezesMandato mais longo da história (18 anos e 9 meses), imagem da “tigela de ponche”
Arthur F. Burns1970-1978Richard NixonAssociado ao início da Grande Inflação, política considerada frouxa demais em retrospectiva
G. William Miller1978-1979Jimmy CarterMandato mais curto (17 meses), inflação próxima de 12%
Paul Volcker1979-1987Jimmy CarterTaxa a 20% para conter a inflação, recessão severa mas vitória duradoura
Alan Greenspan1987-2006Ronald Reagan2º mandato mais longo, “Greenspan put”, “irrational exuberance”, apelidado de “o Maestro”
Ben Bernanke2006-2014George W. BushQE1, QE2, QE3, taxa zero após a crise de 2008, prêmio Nobel em 2022
Janet Yellen2014-2018Barack ObamaPrimeira mulher chair, primeira alta de juros pós-crise (“liftoff”) em 2015
Jerome Powell2018-2026Donald TrumpCovid, retorno da inflação, ciclo de altas 2022-2023 até 5,25-5,50%
Kevin Warshdesde 2026Donald Trump17º e atual chair, confirmação mais polarizada da história (54-45)

1914-1929: as origens e os anos loucos

O Federal Reserve nasce com o Federal Reserve Act, mas é preciso esperar até 10 de agosto de 1914 para que Charles Sumner Hamlin, nomeado por Woodrow Wilson, se torne o primeiro chair da instituição. Seu mandato, que termina em 9 de agosto de 1916, coincide com a eclosão da Primeira Guerra Mundial na Europa: a inflação americana sobe de cerca de 3% para 7,9% no período, com o jovem banco central descobrindo ao vivo as tensões entre financiamento de guerra e estabilidade de preços.

William P. G. Harding o sucede em 10 de agosto de 1916 e dirige o Board durante toda a guerra e o pós-guerra imediato, até 9 de agosto de 1922. Ele acumula essa função com a presidência da War Finance Corporation entre 1918 e 1919, órgão encarregado de financiar o esforço de guerra americano — uma porosidade entre política monetária e financiamento público que deixaria de existir depois de 1951.

Depois de um ano de vacância, Daniel R. Crissinger, nomeado por Warren G. Harding, assume o comando do Fed em 1º de maio de 1923 e o mantém até 15 de setembro de 1927. Seu mandato coincide com o boom da bolsa dos “Roaring Twenties”: o Dow Jones mais que dobra (+104%) no período, impulsionado por uma política de crédito fácil que o Fed não busca conter. Seu sucessor, Roy A. Young, nomeado por Calvin Coolidge, dirige a instituição de 4 de outubro de 1927 a 31 de agosto de 1930: seu mandato termina com o crash de Wall Street de outubro de 1929, ponto de partida da Grande Depressão.

1930-1934: a Grande Depressão

Eugene Meyer, nomeado por Herbert Hoover, assume a presidência em 16 de setembro de 1930, em plena derrocada econômica. Ele cria, em 1932, a Reconstruction Finance Corporation, destinada a socorrer bancos e empresas em dificuldade, mas seu balanço à frente do Fed segue sendo considerado misto: vários historiadores avaliam que a política monetária conduzida nesse período agravou a crise em vez de amortecê-la, ao deixar a massa monetária se contrair enquanto milhares de bancos quebravam. Meyer deixa o cargo em 10 de maio de 1933.

Eugene R. Black, nomeado por Franklin D. Roosevelt, o sucede para um mandato muito curto, de 19 de maio de 1933 a 15 de agosto de 1934: uma transição rápida, em plena reformulação do sistema bancário americano por efeito das primeiras leis do New Deal.

1934-1951: Eccles e a fundação do FOMC moderno

Marriner S. Eccles, nomeado por Roosevelt, assume a presidência em 15 de novembro de 1934 e a mantém até 31 de janeiro de 1948 — um mandato de mais de 13 anos que transforma a instituição de forma duradoura. Eccles redige em grande parte o Banking Act of 1935, que centraliza o poder de política monetária nas mãos do Board em Washington e dá ao FOMC sua estrutura moderna: 7 governadores e 12 presidentes de bancos regionais, reunidos pela primeira vez nesse formato em março de 1936, como detalha o ensaio de referência da Federal Reserve History dedicado ao comitê. Sua abordagem, próxima do keynesianismo nascente, defende a ideia de que a política monetária deve sustentar ativamente a retomada em período de recessão — uma ruptura clara com a ortodoxia de seus predecessores.

Thomas B. McCabe, nomeado por Harry Truman, dirige o Fed de 15 de abril de 1948 a 31 de março de 1951. Seu mandato é marcado por um conflito aberto entre o Fed e o Tesouro em torno do nível dos juros, com o Tesouro querendo mantê-los baixos para facilitar o financiamento da dívida pública herdada da guerra. Esse braço de ferro se resolve com o Acordo Tesouro-Fed de 3 de março de 1951, que põe fim à obrigação do Fed de sustentar os títulos do governo e funda a independência moderna da instituição em relação ao poder político.

1951-1970: Martin e a “tigela de ponche”

William McChesney Martin assume a presidência em 2 de abril de 1951, nomeado por Truman, e a mantém até 31 de janeiro de 1970: 18 anos e 9 meses, o mandato mais longo da história do Fed, sob quatro presidentes americanos sucessivos — Truman, Eisenhower, Kennedy e Johnson. Martin permanece associado à frase mais citada da história do banco central: em um discurso de 19 de outubro de 1955, ele compara o papel do banqueiro central ao de quem deve “tirar a tigela de ponche bem na hora em que a festa está começando”, ou seja, apertar a política monetária antes que o superaquecimento se instale, em vez de esperar que os excessos fiquem visíveis para todos.

Sob sua presidência, a inflação permanece controlada, abaixo de 2% em média durante toda a década de 1950. Mas o fim dos anos 1960 vê surgir os primeiros sinais de um descontrole inflacionário, alimentado pelo financiamento simultâneo da Guerra do Vietnã e dos programas sociais da “Great Society”: um terreno que Martin lega a seu sucessor sem ter conseguido contê-lo por completo.

1970-1979: Burns, Miller e a Grande Inflação

Arthur F. Burns, nomeado por Richard Nixon e depois mantido por Gerald Ford, dirige o Fed de 1º de fevereiro de 1970 a 31 de janeiro de 1978. Seu mandato marca o verdadeiro ponto de partida do que os economistas chamam de “Grande Inflação” americana (1965-1982): uma política dita “stop-go”, alternando apertos tímidos e afrouxamentos prematuros, considerada em retrospecto frouxa demais. Burns sofre ainda uma pressão política direta de Nixon em 1971-1972, que o empurra a afrouxar a política monetária às vésperas de sua reeleição. Vários economistas hoje classificam Burns, retrospectivamente, como o pior chair da história do Fed.

G. William Miller, nomeado por Jimmy Carter, o sucede em 8 de março de 1978 para o mandato mais curto da história moderna da instituição: apenas 17 meses, até 6 de agosto de 1979. A inflação chega então perto de 12% em ritmo anual. Diante da urgência, Carter transfere Miller para o Tesouro e o substitui no comando do Fed por um certo Paul Volcker — uma decisão que mudaria o rumo da história monetária americana.

1979-1987: Paul Volcker e o choque anti-inflacionário

Nomeado por Jimmy Carter em 6 de agosto de 1979 e mantido por Ronald Reagan, Paul Volcker herda uma inflação próxima de 12% e uma credibilidade do Fed em seu ponto mais baixo. Sua resposta entra para a história sob o nome de “choque Volcker”: ele eleva a taxa básica de juros até um pico de cerca de 20% em junho de 1981, nível mantido em 19% até julho de 1981 — um aperto de uma brutalidade nunca vista antes nem depois na história do banco central americano.

O preço a pagar é imediato e doloroso: a recessão que se estende de julho de 1981 a novembro de 1982 faz o desemprego subir até 10,8% no fim de 1982, seu nível mais alto desde a Grande Depressão. Volcker enfrenta críticas de uma violência rara, inclusive dentro do próprio Congresso. Mas o resultado está aí: a inflação americana, que parecia instalada de forma duradoura nas mentalidades e nas negociações salariais, é vencida de vez. Seu mandato termina em 11 de agosto de 1987, deixando ao sucessor uma economia saneada, mas uma lição duradoura: a credibilidade anti-inflacionária de um banco central se conquista a preço alto e se perde muito rápido.

1987-2006: Alan Greenspan, “o Maestro”

Nomeado por Reagan e mantido sucessivamente por George H. W. Bush, Bill Clinton — fato raro, um presidente democrata mantendo um chair nomeado por um republicano — e depois George W. Bush, Alan Greenspan ocupa a presidência de 11 de agosto de 1987 a 31 de janeiro de 2006: o segundo mandato mais longo da história, marcado por uma série de momentos que moldaram a comunicação moderna dos bancos centrais.

Apenas dois meses depois de assumir o cargo, o crash da “Black Monday” de 19 de outubro de 1987 faz o Dow Jones despencar 22,6% em um único pregão. Greenspan responde com um comunicado de uma única frase, garantindo a liquidez do Fed para sustentar o sistema financeiro: a origem do que os mercados apelidariam de “Greenspan put”, a ideia de que uma intervenção do Fed sempre viria amortecer as quedas mais severas do mercado. Em 1994, ele conduz um aperto preventivo espetacular: a taxa básica de juros dobra, de 3% para 6%, no espaço de um ano, mesmo antes do surgimento de sinais concretos de inflação — um choque que provoca o “massacre dos títulos” de 1994 nos mercados de juros mundiais.

Em 5 de dezembro de 1996, seu discurso sobre a “irrational exuberance” — a exuberância irracional dos mercados — questiona publicamente a avaliação da bolha da internet nascente: a bolsa de Tóquio despenca na hora seguinte. Depois do estouro da bolha das pontocom e dos atentados de 11 de Setembro, Greenspan reduz os juros de 6,5% para 1% entre 2000 e 2003, nível — o mais baixo em 45 anos — mantido até junho de 2004. Essa política de juros persistentemente baixos será, em retrospecto, apontada como um dos fatores que alimentaram a bolha imobiliária americana, cujo estouro desembocaria na crise financeira de 2008.

Apelidado de “o Maestro” por seu domínio percebido do ciclo econômico, Alan Greenspan morreu em 22 de junho de 2026, aos 100 anos, em decorrência de complicações ligadas ao mal de Parkinson — uma perda recente que marcou toda a comunidade financeira mundial.

Para saber mais: a biografia completa de Alan Greenspan.

2006-2014: Ben Bernanke e a resposta à crise de 2008

Acadêmico especialista reconhecido em Grande Depressão já antes de sua nomeação, Ben Bernanke é nomeado por George W. Bush e mantido por Barack Obama, ocupando a presidência de 1º de fevereiro de 2006 a 31 de janeiro de 2014. Seu apelido, “Helicopter Ben”, remonta a um discurso de 21 de novembro de 2002 sobre o combate à deflação — bem antes de assumir o comando da instituição.

Diante da falência do Lehman Brothers, Bernanke reduz a taxa básica de juros para 0-0,25% já em dezembro de 2008 e lança, em 25 de novembro de 2008, o primeiro programa de compra de ativos em grande escala da história do Fed: o QE1, de até 600 bilhões de dólares. Viriam depois o QE2 (600 bilhões de dólares, novembro de 2010) e depois o QE3, um programa aberto de 40 bilhões de dólares em compras mensais de títulos lastreados em hipotecas, lançado em setembro de 2012. Em janeiro de 2012, o Fed adota pela primeira vez uma meta de inflação explícita de 2%, que desde então se tornou a bússola oficial de toda a política monetária americana.

Em 22 de maio de 2013, ao mencionar diante do Congresso uma possível desaceleração do QE, Bernanke desencadeia o “taper tantrum”: o rendimento do título de 10 anos americano dispara de 1,94% para 2,96% em poucos meses, provocando um choque nos mercados emergentes. Bernanke receberia, em outubro de 2022, o prêmio Nobel de Economia — como colaureado — por seus trabalhos sobre o papel das crises bancárias nas recessões econômicas.

Para saber mais: a biografia completa de Ben Bernanke.

2014-2018: Janet Yellen, a primeira mulher no comando do Fed

Nomeada por Barack Obama, Janet Yellen se torna, em 3 de fevereiro de 2014, a primeira mulher a dirigir o Federal Reserve, função que ocupa até 3 de fevereiro de 2018. Seu mandato é o da saída da crise: depois de anos de juros próximos de zero, ela conduz a primeira alta de juros desde a crise financeira, em 16 de dezembro de 2015 — o famoso “liftoff” — levando a faixa de 0-0,25% para 0,25-0,50%, o primeiro aperto monetário americano desde junho de 2006.

Na escala falcão/pomba, Yellen se posiciona claramente do lado pomba: ela privilegia uma abordagem pragmática, baseada na pesquisa empírica em economia do trabalho, em vez de regras rígidas. Depois de deixar o Fed, é nomeada secretária do Tesouro por Joe Biden e ocupa esse cargo de 2021 a 2025: torna-se assim a primeira mulher a ter dirigido tanto o Fed quanto o Tesouro americano, um feito duplo único na história econômica do país.

Para saber mais: a biografia completa de Janet Yellen.

2018-2026: Jerome Powell, do Covid ao retorno da inflação

Nomeado chair por Donald Trump em 2017 e depois mantido por Joe Biden em 2022, Jerome Powell dirige o Fed de 5 de fevereiro de 2018 a 22 de maio de 2026 — um mandato atravessado por dois grandes choques econômicos. Diante da pandemia de Covid-19, ele reduz com urgência a taxa básica de juros para 0-0,25% já em 15 de março de 2020, acompanhada de um programa de compra de ativos de 700 bilhões de dólares — a resposta mais rápida da história da instituição diante de uma crise.

No fim de novembro de 2021, Powell reconhece publicamente que é hora de abandonar a palavra “transitory” para qualificar a inflação, abrindo caminho para o ciclo de aperto mais rápido desde Volcker: 11 altas de juros desde março de 2022, até uma faixa de 5,25-5,50% atingida em 27 de julho de 2023, seu nível mais alto em 22 anos. Os cortes recomeçam depois, gradualmente: a taxa volta a 4,25-4,50% em dezembro de 2024, e depois a 3,50-3,75% em dezembro de 2025, após três cortes sucessivos ao longo do ano.

Seu mandato como chair termina oficialmente em 15 de maio de 2026, mas Powell garante um interim inédito como “chair pro tempore” até 22 de maio de 2026, até que seu sucessor tome posse — um fato institucional sem precedentes recentes. Powell continua, além disso, como governador do Fed depois de deixar a presidência, uma situação rara cujo último exemplo remonta a Marriner Eccles, em 1948.

Para saber mais: a biografia completa de Jerome Powell.

Desde 2026: Kevin Warsh, o 17º presidente

Anunciado por Donald Trump em 30 de janeiro de 2026, Kevin Warsh não é um desconhecido da instituição: governador do Fed entre 2006 e 2011 por nomeação de George W. Bush, ele havia renunciado por discordar do lançamento do QE2 de Bernanke. Sua confirmação no Senado, em 13 de maio de 2026, se decide por 54 votos contra 45 — a votação mais polarizada e mais partidária da história para a nomeação de um chair do Fed. Ele toma posse na Casa Branca em 22 de maio de 2026, tornando-se o 17º presidente da instituição desde sua criação, como formalizou o comunicado oficial do Fed publicado naquele mesmo dia.

Sua primeira reunião do FOMC como chair, em 17 de junho de 2026, termina com a manutenção da taxa em 3,50-3,75%, mas com um comunicado nitidamente mais curto e um abandono parcial do forward guidance habitual — uma mudança de estilo imediatamente notada pelos mercados. Na reunião de 28 e 29 de julho de 2026, a manutenção é confirmada, mas dessa vez a votação fica dividida em 9 votos contra 3, com três membros dissidentes pedindo uma alta imediata. Seu discurso em Jackson Hole, em 28 de agosto de 2026, é considerado bem mais hawkish do que o esperado pela maioria dos economistas de mercado.

O FOMC se reúne justamente hoje, 15 e 16 de setembro de 2026, para sua primeira decisão da temporada sob a presidência Warsh: o veredito é esperado hoje à noite, às 14h ET (20h em Paris). Na véspera da reunião, o consenso de mercado dava uma probabilidade de 91 a 93% para uma alta da taxa básica de juros rumo a 3,75-4,00%, o que representaria a primeira alta desde julho de 2023. Este guia será atualizado assim que a decisão for oficialmente divulgada.

Para saber mais: a biografia completa de Kevin Warsh.

Perguntas frequentes

Quantos presidentes o Fed já teve desde sua criação?

17 presidentes (chairs) se sucederam desde a nomeação de Charles Hamlin em agosto de 1914, sendo o mais recente Kevin Warsh, que assumiu o cargo em 22 de maio de 2026.

Quem foi o presidente do Fed que ficou mais tempo no cargo?

William McChesney Martin detém o recorde, com 18 anos e 9 meses no comando da instituição, de 1951 a 1970, sob quatro presidentes americanos sucessivos.

Qual foi o mandato mais curto da história do Fed?

G. William Miller ficou apenas 17 meses no cargo, de março de 1978 a agosto de 1979, antes de ser transferido para o Tesouro por Jimmy Carter em plena disparada da inflação.

Por que a taxa básica de juros chegou a cerca de 20% sob Paul Volcker?

Diante de uma inflação próxima de 12%, Volcker elevou deliberadamente os juros a um pico de cerca de 20% em junho de 1981 para quebrar de forma duradoura as expectativas inflacionárias, ao custo de uma recessão severa e de um desemprego de 10,8% no fim de 1982.

Quem é o atual presidente (chair) do Fed?

Kevin Warsh, 17º chair da história da instituição, está no cargo desde 22 de maio de 2026, depois de uma confirmação no Senado por 54 votos contra 45.

O que é o Banking Act of 1935 e por que ele é tão importante?

Redigido em grande parte por Marriner Eccles, esse texto criou a estrutura moderna do FOMC, com 7 governadores e 12 presidentes de bancos regionais, reunidos pela primeira vez nesse formato em março de 1936.

Quem foi a primeira mulher a dirigir o Federal Reserve?

Janet Yellen, chair de 2014 a 2018, foi a primeira mulher a ocupar esse cargo, antes de se tornar também a primeira mulher secretária do Tesouro americano entre 2021 e 2025.

O que foi o Acordo Tesouro-Fed de 1951?

Assinado em 3 de março de 1951 sob a presidência de Thomas McCabe, esse acordo pôs fim à obrigação do Fed de sustentar artificialmente os títulos do governo, fundando a independência moderna do banco central americano.

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